O sono e sua importância para o organismo

O sono ainda é uma incógnita para a ciência. Por que dormimos, o quanto devemos dormir, e como explicar a relação que o sono tem com o bom funcionamento de diversos mecanismos do corpo, ainda são perguntas sem respostas precisas. Mas alguns estudos tentam se aproximar de explicações contundentes para essas dúvidas que circundam o universo dos sonhos. 

Motivos para ter uma boa noite de sono é que não faltam. Dezenas de pesquisas mostram que ficar sem dormir realmente faz mal ao organismo e que, assim como a prática de exercícios físicos regulares e a alimentação saudável, descansar um mínimo de horas por dia também é essencial para ter qualidade de vida.

A privação parcial do sono tem um efeito significativo no humor, por exemplo. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia¹, nos Estados Unidos, revelaram que indivíduos que dormiram apenas 4,5 horas de sono por noite em uma semana relataram se sentir mais estressados, irritados, tristes e mentalmente exaustos. Quando os participantes retomaram o sono normal, relataram uma melhora drástica no humor.

Já que as horas de sono afetam o humor, é de se esperar que também afetem os estados mentais e transtornos a eles relacionados. Cientistas britânicos², da Universidade de Glasgow, analisaram padrões de atividade e repouso diurnos e noturnos de mais de 90 mil pessoas e descobriram que os indivíduos que tinham o sono interrompido apresentavam também maior risco de distúrbios de humor, como transtorno bipolar e depressão.

E a conexão entre fechar os olhos à noite e o funcionamento do cérebro não param por aí. Em abril, uma pesquisa realizada na Universidade da Califórnia³ mostrou que quanto menos as pessoas dormiam, maior era o acúmulo de beta-amiloide no cérebro -- o acúmulo dessas proteínas é uma das principais características do mal de Alzheimer. O estudo destaca os efeitos que o sono tem na função cerebral, principalmente em relação à cognição.

Além de prevenir distúrbios mentais, dormir bem ainda protege o corpo de outras doenças, como diabetes. Um estudo publicado em setembro no periódico American Journal of Physiology - Endocrinology and Metabolism(4) descobriu que perder uma noite de sono pode afetar a capacidade do fígado de produzir glicose e processar insulina, aumentando o risco de doenças metabólicas, como a esteatose hepática (gordura no fígado) e diabetes tipo 2. 

No livro Sleep Disorders and Sleep Deprivation: An Unmet Public Health Problem(5), os autores mostram que, em comparação com adultos que dormem de sete a oito horas por noite, as pessoas que dormem seis horas têm 1,7 mais chances de desenvolver diabetes, e as que dormem cinco horas têm 2,5 mais chances de ter a doença.

Diante de tantos benefícios que o ‘dormir bem’ nos traz, já deu para perceber que dar valor ao seu colchão não é bobagem, não é mesmo?. 


Fontes: 

1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9231952  
2. https://www.thelancet.com/journals/lanpsy/article/PIIS2215-0366(18)30139-1/fulltext
3. https://www.pnas.org/content/115/17/4483.short
4. https://www.physiology.org/doi/abs/10.1152/ajpendo.00072.2018 
5. https://www.nap.edu/read/11617/chapter/5

 

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