Crononutrição: hora que você come pode mudar forma como o corpo funciona

Você já ouviu falar na crononutrição? Essa área de estudo acredita que para ter uma vida saudável é preciso ir além de apenas selecionar os alimentos certos para consumir: a hora que você os ingere também é essencial.

Essa teoria se baseia no ritmo circadiano do corpo. Apesar do nome estranho, esse ritmo nada mais é do que o período de 24 horas em que nosso relógio biológico e nossas células funcionam. Os genes para digestão, por exemplo, são mais ativos no início do dia, enquanto os genes para reparo celular são mais ativos à noite.

A ideia é que, se quase todas as células do corpo têm seu próprio reloginho, da mesma forma, hormônios, substâncias químicas do cérebro, enzimas e até os genes aumentam e diminuem em determinados momentos do dia. Por esse motivo, se a alimentação for feita na hora certa, o corpo funcionará melhor, como se fosse uma engrenagem.  

Um estudo publicado em agosto deste ano, que teve duração de dez anos, provou que a teoria está mais para realidade. Realizado por pesquisadores do Salk Institute, no Texas, nos Estados Unidos, o artigo diz que devemos limitar nossa alimentação às primeiras oito a dez horas em que estamos acordados, para dar ao corpo tempo suficiente para digerir a comida, descansar e se recuperar.

Segundo os cientistas, o corpo é naturalmente preparado para digerir alimentos e absorver nutrientes apenas num espaço de oito a dez horas por dia.

No experimento, dois grupos idênticos de ratos receberam dietas semelhantes em horários diferentes. O primeiro grupo recebeu alimentos ricos em gordura e açúcar, e os animais podiam comer sempre que quisessem. O segundo grupo comia quantidades equivalentes dos mesmos alimentos, mas apenas num período de oito horas.

Após 18 semanas, os ratos que se alimentaram sem restrição de horário estavam diabéticos e obesos, tinham ainda colesterol alto e problemas intestinais. Mas aqueles que consumiram a mesma dieta numa janela de oito horas não apresentaram qualquer doença.

O estudo atribuiu os benefícios à saúde à sincronia dos ratos com seus relógios celulares, comendo a maior parte das calorias quando os genes para digestão, por exemplo, eram mais ativos.

De acordo com os pesquisadores, a resposta no bom estado de saúde estaria no fato de que, quando paramos de comer, o corpo entra em um estado de "equilíbrio". As toxinas do ambiente e dos alimentos são eliminadas, os níveis de colesterol são reduzidos, os músculos, a pele, o revestimento do intestino e até mesmo o DNA são reparados.

Diante dos resultados dessa pesquisa, a proposta não é que as pessoas façam jejum prolongado, e sim que tenham em mente os horários que se alimentam e reservem de oito a dez horas para isso. Sendo assim, segundo o experimento, quem acorda às 8h da manhã pode se alimentar até as 18h. Isso sempre com a ajuda de um profissional para auxiliar na definição dos horários, nos intervalos entre as refeições, na quantidade ideal de alimentos e na dieta mais adequada para sua rotina. 

Taí uma teoria que pode fazer sentido, não é?


Fonte:

https://www.salk.edu/news-release/eating-in-10-hour-window-can-override-disease-causing-genetic-defects-nurture-health/

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