Exercícios físicos podem ajudar a combater sintomas da má digestão

Exercícios físicos podem ajudar a combater a má digestão

Texto de introdução
Apesar de muitas pessoas relacionarem a saúde do aparelho digestivo apenas ao que comemos, alguns outros hábitos também influenciam esse sistema, podendo aliviar sintomas da má digestão. A prática regular de exercícios físicos é um deles.

No geral, é sabido que mesmo uma caminhada leve já aumenta o fluxo de sangue em todo o corpo, fazendo com que os órgãos funcionem de forma melhor, incluindo todo o trato gastrointestinal. Entretanto, alguns estudos também mostraram que a atividade física é capaz de alterar a microbiota (bactérias que habitam o sistema intestinal), trazendo benefícios para o organismo.

Um deles, realizado por pesquisadores japoneses e publicado no periódico Bioscience, Biotechnology, and Biochemistry, fez testes em camundongos e mostrou que o exercício causou mudanças no tempo de trânsito intestinal, na resposta imune intestinal e na quantidade de substâncias dentro do órgão que realiza a digestão. Isso significa que a atividade física pode ter afetado a composição da microbiota intestinal. "A alteração na microbiota demonstrada nesse estudo presumivelmente contribuiu para o efeito benéfico do exercício em desordens gastrintestinais", concluem os autores.

Em outro estudo, pesquisadores italianos das Universidades de Salerno, Foggia e Nápoles concluíram que "o exercício parece ser um fator ambiental que pode determinar mudanças na composição microbiana do intestino com possíveis benefícios para o hospedeiro". De acordo com os cientistas, o exercício é capaz de enriquecer a diversidade da microflora; e melhorar a relação entre bactérias "boas e ruins", o que poderia contribuir potencialmente para a redução de distúrbios gastrointestinais, do peso e patologias associadas à obesidade. A pesquisa constatou que a prática de atividade física pode incentivar a proliferação de bactérias que podem modular a imunidade da mucosa e melhorar as funções de barreira, resultando na redução da incidência de obesidade e doenças metabólicas; e, ainda, estimular bactérias capazes de produzir substâncias que podem proteger contra distúrbios gastrointestinais e até câncer colorretal. 

Os pesquisadores italianos ainda recomendam que o exercício seja usado como um tratamento para manter o equilíbrio da microflora e, portanto, evitar quaisquer distúrbios gastrointestinais, principalmente a clássica má digestão, obtendo assim uma melhoria do estado de saúde. 

No entanto, os estudos afirmam que mais evidências são necessárias para entender completamente os mecanismos que determinam mudanças na composição e funções da microbiota, causadas pelo exercício e todos os seus efeitos relacionados. 

De toda forma, os resultados não deixam de ser animadores. Principalmente, para quem sofre com problemas como sensação de estômago cheio equeimação, ao longo de todo um dia. Esse sintomas da má digestão atingem quase metade dos brasileiros, de acordo com um levantamento da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Motivos, portanto, não faltam para começar a se mexer. Que tal colocar essa ideia em prática agora?  


Referências:
Voluntary running exercise alters microbiota composition and increases n-butyrate concentration in the rat cécum, 2008
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18256465
Exercise and associated dietary extremes impact on gut microbial diversity
https://gut.bmj.com/content/63/12/1913
Exercise prevents weight gain and alters the gut microbiota in a mouse model of high fat diet-induced obesity, 2014.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24670791
Exercise induction of gut microbiota modifications in obese, non-obese and hypertensive rats, 2014.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24952588
Exercise Modifies the Gut Microbiota with Positive Health Effects, 2017.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5357536/
Prevalência do refluxo gastresofágico no Brasil – Federação Brasileira de Gastroenterologia (FGB) – 06/2018 – Estudo apresentado durante a XVII Semana Brasileira do Aparelho Digestivo (SBAD), em São Paulo.